Algoritmos contribuem para ampliar a sociedade do controle

Somente agora começamos a identificar e a abordar os problemas levantados pela rápida introdução dos algoritmos de inteligência artificial e machine learning em áreas importantes no âmbito social. A partir dos escândalos trazidos pelo emprego da IA, questões fundamentais emergiram para reflexão: quem será responsabilizado quando sistemas de aprendizado estatístico começam a prejudicar os cidadãos? O gap de responsabilidade torna-se presente quando se observa o atual emprego crescente dos algoritmos para amplificar a vigilância digital sobre a sociedade, no âmbito do marketing ou da política, especialmente em associação a tecnologias disruptivas com potencial de maximizar o controle social e, possivelmente, no caso de alguns governos, a opressão.

Algoritmos de machine learning têm contribuído amplamente para ampliar a vigilância social generalizada. Isso ocorre não somente com o rastreamento de dados dos usuários pelo marketing, mas também com o emprego crescente de redes de sensores, manipulação de percepções, reconhecimento facial e usos panópticos das redes sociais. Há o perigo de novas ameaças, ao mesmo tempo em que se ampliam preocupações antigas, exaustivamente discutidas por autores como Foucault, Deleuze, Bauman, Lyon, entre outros.

Artigo completo apresentado na ABCiber 2018

Marketing digital como instrumento de controle

Esta foi a minha apresentação realizada no Simpósio Nacional da ABCiber 2018, em Juiz de Fora, MG.

Nas mídias sociais, hoje em dia, qualquer pessoa pode postar os seus pensamentos. A capacidade de disseminar ideias não encontra-se mais limitada por uma infraestrutura centralizada e cara de broadcasting e mídias de massa. “Estaríamos vivendo a “Era de Ouro” da liberdade de expressão?” pergunta-se a tecno-socióloga Zeynep Tufekci, escritora e professora da Universidade da Carolina do Norte.  Nada disso! A coisa não é bem assim…

Atualmente, o limite da nossa liberdade de expressão vincula-se aos limites de nossa habilidade de captar a atenção das pessoas.  Só que esta capacidade está cada vez mais controlada por poucas plataformas e por seus algoritmos baseados em machine learning para espalhar a vigilância. O modelo de negócios dos gigantes da internet tem sido justamente captar a atenção de todas as pessoas, através de uma infraestrutura de vigilância massiva que nos faz clicar em anúncios automatizados.

Vamos abrir o olho… A situação em que vivemos é, na realidade, mais compatível com regimes autoritários, com a propaganda, a desinformação e a polarização, do que com o conceito democrático de liberdade de pensamento e expressão!

 

Luiz Agner: apresentação no ABCiber 2018.

Luiz Agner: Apresentação de artigo no simpósio ABCiber 2018.

Marketing digital e sociedade de controle

Este trabalho, realizado para o congresso ABCiber 2018, em parceria com minha aluna Juliana Hofstetter, procura analisar aspectos do modo de atuação do controle e do poder exercido pela vigilância na sociedade digital.

A discussão proposta envolve a ética, a segurança e o potencial de controle dos algoritmos online, que não só coletam dados dos usuários, mas os armazenam, combinam, analisam e criam padrões que revelam tendências a serem empregadas em estratégias digitais para gerar consumo e até influenciar decisões político-eleitorais.  

São discutidos empregos de robôs sociais durante o debate político brasileiro, assim como o escândalo do vazamento de dados de usuários na rede social Facebook.

Leia aqui o nosso resumo extendido!

Anotações sobre arquitetura de informação na era dos espaços mistos

Desenvolvimentos conceituais recentes no campo da arquitetura de informação (AI) devem muito ao trabalho proposto por Henry Jenkins, do MIT, que trata da cultura da convergência e das narrativas transmídia. O conceito de Internet das Coisas nos trouxe a visão na qual a internet se estende do mundo online para o mundo real abraçando objetos do cotidiano, onde a computação tornou-se onipresente e distribuída pelos ambientes.

Nesse cenário, ecossistemas cross-channel são construtos semânticos estruturados ao redor da ideia de experiência e que incluem pessoas, dispositivos, locais e aplicativos, conectados por um fluxo contínuo de informação. A arquitetura de informação pervasiva tem emergido como um tema pós-moderno: sendo pervasiva, a AI agora deve ser consistente com uma complexa ecologia – composta de aplicativos, dispositivos móveis, websites, vestíveis, assistentes pessoais, utilitários, além de outros pontos de contato do cliente com a narrativa transmídia de marcas e organizações.

Delineia-se um desafio que coloca os arquitetos de informação e os designers de UX diante da tarefa de repensar seus processos em prol de uma visão holística complexa.

Segue aqui o artigo completo a ser apresentado no Congresso P&D Design 2018, em Joinville, SC.

 

 

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Um congresso em Vancouver

Agner_Palestra_HCII2017

Uma cena da apresentação no congresso HCII em Vancouver (2017). Neste trabalho, desenvolvemos alguns aspectos da nova teoria da arquitetura de informação pervasiva e sua aplicação às ecologias de mídias, termo definido por Postman e Marshall McLuhan.

No seu manifesto pela arquitetura de informação pervasiva, os autores Andrea Resmini e Luca Rosati, explicaram que as arquiteturas de informação não fogem à noção de ecossistema. Isto quer dizer que, quando as diferentes mídias e os diferentes contextos estão fortemente interconectados, nenhum artefato ou dispositivo pode ser considerado uma entidade isolada. Cada artefato é elemento pertencente a um ecossistema.

A noção de arquitetura de informação “pervasiva” é um conceito que está sendo construído sobre a constatação da hibridização cada vez maior entre os lugares físicos e os virtuais. Em ambos, as pessoas trabalham, se divertem e convivem.

No cenário acelerado das mudanças tecnológicas, o comportamento dos consumidores também está se transformando. Os usuários não só buscam, acessam e usam a informação. As pessoas, desde o advento da web 2.0 (com a sua cultura participativa, as mídias sociais, os wikis…) agora também citam, criam, reinterpretam, editam, mixam e recriam a informação, através de diversos canais interconectados. Os usuários tornaram-se prosumers e a informação, transmídia. As narrativas das marcas tendem a ser transmídia, como nos ensinou Henry Jenkins em seu livro sobre a cultura da convergência.

Com isto em mente, Andrea Resmini e Luca Rosati nos apresentam as suas cinco heurísticas para a arquitetura pervasiva. São as seguintes:

1 – Construção de lugares – A arquitetura de informação pervasiva deve se preocupar em projetar e construir ambientes formados por informações.
2 – Consistência – A arquitetura de informação pervasiva deve ter consistência interna e externa.
3 – Resiliência – É a capacidade da estar adaptada a diversas situações e se modificar para atender a diferentes tipos de usuários e a qualquer modelo de busca.
4 – Redução – poder gerenciar grandes quantidades de informação, sem sobrecarregar cognitivamente o usuário.
5 – Correlação – A arquitetura de informação pervasiva deve também sugerir conexões relevantes entre as peças de informação, produtos e serviços para que os usuários possam concretizar suas metas e estimular a satisfação de outras necessidades.

O nosso trabalho propôs que estas cinco diretrizes fossem ampliadas e expandidas para dar conta de toda a complexidade da nova realidade dos estudos atuais do design e da interação humano-computador.

Cenários híbridos da publicidade

Este trabalho foi escrito a quatro mãos com o meu orientando da Facha, o Vitor Zanfagnini, com base em sua pesquisa de TCC.

A partir do diálogo e das interseções cada vez mais intensas entre três atores do ambiente midiático contemporâneo – o mercado publicitário, a indústria do entretenimento e as tecnologias interativas – o presente artigo busca contextualizar o cenário da publicidade e das novas mídias, tendo como fio condutor o processo de hibridização da publicidade. O estudo se propõe a investigar com que eficácia as marcas ou agências desempenham um dos principais vetores da convergência – a interatividade. O método de pesquisa utilizado é o de avaliação de comunicabilidade, empregado na Interação Humano-Computador. Para a coleta de evidências empíricas, foi selecionado o aplicativo da marca de café Nespresso, para efeito de estudo de caso.

O resultado evidencia a importância da arquitetura de informação e dos estudos de interação humano-computador como técnicas fundamentais para as empresas e agências digitais que precisam fazer uso estratégico do mobile marketing em seus modelos de negócios. Os problemas na metacomunicação dos aplicativos nos levam a formular a hipótese de que as marcas ainda não aprenderam, em sua plenitude, a trabalhar com as novas mídias e com a dimensão da interatividade na publicidade híbrida. A hibridização da publicidade é um processo que ainda não está plenamente estabelecido, sendo utilizado pelas marcas e agências digitais ainda sem atingir a sua total potencialidade, no tocante aos recursos de interação.

Clique para baixar o artigo do Vitor (apresentado no InterCom Junior).

A comunicabilidade da revista Veja nos tablets

O acesso a conteúdos jornalísticos a partir de dispositivos móveis cresceu significativamente nos últimos anos. São exemplos os aplicativos nativos desenvolvidos exclusivamente para smartphones e tablets. Nesta pesquisa, concentramo-nos na observação sistemática de processos de recepção e interpretação – a partir de abordagens que integram a Semiótica à Interação Humano-Computador, adequadas para avaliar mensagens de metacomunicação dos artefatos interativos.

Nossa atenção se voltou para a avaliação de publicações desenhadas para o jornalismo móvel, ao qual aplicamos o conceito de comunicabilidade. Este conceito relaciona-se à construção de uma linguagem para a interação e descreve a capacidade de um sistema interativo comunicar satisfatoriamente ao usuário a lógica do seu design. Como estudo de caso, avaliamos as interfaces do aplicativo da revista Veja para tablets.

Ao constatar sua deficiente comunicabilidade, concluímos que as abordagens metodológicas trazidas por especialistas em UX (normalmente ausentes das rotinas produtivas) podem vir a contribuir com uma visão cientificamente informada para o desenvolvimento de discursos interativos mais inovadores no jornalismo móvel.

Para saber mais, você pode baixar o artigo: Jornalismo para Tablets: O Aplicativo da Revista Veja sob a Ótica da Avaliação de Comunicabilidade das Interfaces Humano-Computador, apresentado no Intercom – XXXVIII Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Rio de Janeiro, RJ.

Os autores agradecem o apoio da FAPERJ – Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro e do Programa de Iniciação Científica da FACHA – Faculdades Integradas Helio Alonso.

Congresso HCI International em Los Angeles

REGISTRO – Minha apresentação oral no Congresso Human-Computer Interaction em Los Angeles, Califórnia, no dia 5 de agosto. Fotos de Adriana Chammas e Luiz Agner.

ABSTRACT – The present work aims to provide a contribution to the definition of new parameters to guide interface design and content publishing that will ensure the quality of gestural interaction in newspaper apps for tablets. Our case study is O Globo A Mais, a digital edition with unique content specially produced for iPad, launched by Rio de Janeiro ́s newspaper O Globo, one of the majors in Brazil. The research employed two techniques of qualitative emphasis: exploratory interviews and user observation focused on readers. We concluded that designers and journalists of O Globo A Mais should develop and refine their discourse to users through its gestural interfaces.

Link para o artigo publicado nos Anais do Human-Computer Interaction Conference 2015 – Los Angeles.

Luiz Agner - No Congresso HCI International 2015 - Los Angeles

No Congresso HCI International 2015 – Los Angeles

Luiz Agner - No Congresso HCI International 2015 - Los Angeles

No Congresso HCI International 2015 – Los Angeles

No Congresso HCI International 2015 - Los Angeles

No Congresso HCI International 2015 – Los Angeles

Artigo de Agner et all - No Congresso HCI International 2015 - Los Angeles

No Congresso HCI International 2015 – Los Angeles

No Congresso HCI International 2015 - Los Angeles

No Congresso HCI International 2015 – Los Angeles

No Vale do Silício

Googleplex, em Mountain View, com Adriano Renzi (Senac Rio), Adriana Chamas (PUC-Rio) e com Amir Shevat da Google.

Googleplex, em Mountain View, com Adriano Renzi (Senac Rio), Adriana Chamas (PUC-Rio) e com Amir Shevat da Google.

Google Headquarters, Mountain View, CA.

Google Headquarters, Mountain View, CA.

Apenas para um registro aqui no blog – Estas fotos foram tiradas no Googleplex, em Mountain View, Califórnia, ao visitar a sede da gigante do Vale do Silício na companhia dos professores de Design Adriano Renzi (Senac Rio) e Adriana Chamas (PUC-Rio), numa cortesia ao amigo Amir Shevat, engenheiro de produto que atua na companhia como Startup Ecosystem Development Leader. Conhecemos o Amir quando participamos, na qualidade de Google UX Mentors, do evento Startup Launch, promovido pela Google e pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro.

Googleplex, em Mountain View, com Adriano Renzi (Senac Rio), Adriana Chamas (PUC-Rio) e com Amir Shevat da Google.

Googleplex, em Mountain View, com Adriano Renzi (Senac Rio), Adriana Chamas (PUC-Rio) e com Amir Shevat da Google.

Luiz Agner, Adriano Renzi, Adriana Chammas, Amir Shevat em visita ao GooglePlex, Mountain View, CA.

Luiz Agner, Adriano Renzi, Adriana Chammas, Amir Shevat – em visita ao GooglePlex, Mountain View, CA.

Jornalismo para tablets: o aplicativo de Veja

O processo de convergência tecnológica impõe a sua lógica, que impacta fortemente todas as empresas de mídia. Diante da crise, estas procuram se adaptar, estendendo o seu conteúdo através de inúmeras plataformas e formatos, a exemplo dos chamados aplicativos nativos, desenvolvidos exclusivamente para os dispositivos móveis como smartphones e tablets.

Entre as manifestações que estão em desenvolvimento e expansão no campo jornalístico, focamos na avaliação das soluções desenhadas para o jornalismo móvel, com ênfase na sua recepção, onde aplicamos o conceito de comunicabilidade. Este conceito, que tem por base a Semiótica, relaciona-se à construção de uma linguagem para a interação e descreve a capacidade de um sistema interativo comunicar satisfatoriamente ao usuário a lógica do seu design.

Neste trabalho, avaliamos as interfaces gestuais do aplicativo da revista Veja para tablets, a partir do método de avaliação de comunicabilidade.

Veja o link para o artigo completo que será apresentado no Congresso de Design da Informação (CIDI).

Os autores agradecem o apoio da FAPERJ – Fundação Carlos Chagas Filho de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro e do Programa de Iniciação Científica da FACHA – Faculdades Integradas Helio Alonso.