O uso de dados de usuários e dispositivos de vigilância

O objetivo deste trabalho é analisar o modo de atuação do controle e do poder exercido pela vigilância digital na sociedade contemporânea. Para isso, é necessário compreender a evolução, a manutenção e a transformação dos dispositivos de poder a que os indivíduos foram submetidos, e como esses meios foram potencializados com a internet e os avanços tecnológicos, elevando o poder da comunicação como forma de gerenciar comportamentos sociais e de consumo.

Como o marketing online se tornou um instrumento de controle e de que modo isso afeta o comportamento social? Qual o grau da exposição dos indivíduos e de seus dados privados na rede? É possível mapear as novas tecnologias e sistemas regulatórios e ter ideia de sua amplitude, mas será que isso é suficiente para compreender toda a força da onda da vigilância?

Este artigo relata as evoluções dos dispositivos de vigilância — em especial, os tecnológicos associados à comunicação e à internet — e sua capacidade de desencadear desdobramentos que impactam na construção do modelo de sociedade distópica que estamos criando.

Artigo publicado na Revista Comum (Facha).

Marketing digital como instrumento de controle

Esta foi a minha apresentação realizada no Simpósio Nacional da ABCiber 2018, em Juiz de Fora, MG.

Nas mídias sociais, hoje em dia, qualquer pessoa pode postar os seus pensamentos. A capacidade de disseminar ideias não encontra-se mais limitada por uma infraestrutura centralizada e cara de broadcasting e mídias de massa. “Estaríamos vivendo a “Era de Ouro” da liberdade de expressão?” pergunta-se a tecno-socióloga Zeynep Tufekci, escritora e professora da Universidade da Carolina do Norte.  Nada disso! A coisa não é bem assim…

Atualmente, o limite da nossa liberdade de expressão vincula-se aos limites de nossa habilidade de captar a atenção das pessoas.  Só que esta capacidade está cada vez mais controlada por poucas plataformas e por seus algoritmos baseados em machine learning para espalhar a vigilância. O modelo de negócios dos gigantes da internet tem sido justamente captar a atenção de todas as pessoas, através de uma infraestrutura de vigilância massiva que nos faz clicar em anúncios automatizados.

Vamos abrir o olho… A situação em que vivemos é, na realidade, mais compatível com regimes autoritários, com a propaganda, a desinformação e a polarização, do que com o conceito democrático de liberdade de pensamento e expressão!

 

Luiz Agner: apresentação no ABCiber 2018.

Luiz Agner: Apresentação de artigo no simpósio ABCiber 2018.

Marketing digital e sociedade de controle

Este trabalho, realizado para o congresso ABCiber 2018, em parceria com minha aluna Juliana Hofstetter, procura analisar aspectos do modo de atuação do controle e do poder exercido pela vigilância na sociedade digital.

A discussão proposta envolve a ética, a segurança e o potencial de controle dos algoritmos online, que não só coletam dados dos usuários, mas os armazenam, combinam, analisam e criam padrões que revelam tendências a serem empregadas em estratégias digitais para gerar consumo e até influenciar decisões político-eleitorais.  

São discutidos empregos de robôs sociais durante o debate político brasileiro, assim como o escândalo do vazamento de dados de usuários na rede social Facebook.

Leia aqui o nosso resumo extendido!

Marketing digital e vigilância

É possível visualizar uma sociedade cada vez mais vinculada à tecnologia. A cada dia, o cotidiano, as interações e tomada de decisões estão cada vez mais integradas à internet e aos dispositivos tecnológicos, resultando em uma dependência difícil de se evitar.

Quando se debate o tema da vigilância é possível que a perda de privacidade seja a primeira coisa a ser relacionada como enunciado central. Porém, há muito mais a ser compreendido. A vigilância e o controle sempre existiram, bem como os investimentos em poder que articulam sujeito e sociedade, seja nas sociedades disciplinares de Foucault (2016), seja nas sociedades de controle de Deleuze (1992).

A atuação e ampliação da vigilância no contexto da cultura digital tornou a absorção de dados a principal prática responsável por gerenciar e influenciar comportamentos sociais e de consumo. A partir disso, com base nos aspectos ‘líquidos’ das sociedades atuais propostas por Bauman (2012), é possível notar que as possibilidades foram pluralizadas pela internet e o espaço virtual proporcionou aos usuários acesso livre às notícias, maior liberdade de escolha, estreitamento de relações interpessoais e uma descentralização de informações, fazendo com que novas articulações de vigilância pudessem atuar. É importante considerar, em primeiro lugar, as motivações que conduzem as pessoas a contribuir em sua própria vigilância, e o segundo, como isso alimenta as relações de consumo.

Apresentação em parceria com a ex-aluna da Facha, Juliana Hofstetter.
Leia aqui o artigo completo para o 2. tRec – Simpósio Nacional sobre Transformações na Retórica do Consumo.

Vigilância e controle na sociedade digital

Fico sempre superfeliz quando meus alunos e orientandos de TCC fazem um excelente trabalho e são merecedores da nota máxima (dez, com louvor!). É o caso da Juliana Hofstetter,  do curso de Comunicação Social/ Publicidade e Propaganda da Facha.

O  trabalho da Juliana teve como objetivo, em suas palavras,  “contextualizar as consequências do controle e da vigilância digital que dominam a sociedade contemporânea, apresentando, através de uma abordagem integrada de diversos autores, a construção, manutenção e transformação dos dispositivos de poder a que os indivíduos foram submetidos e como esses meios foram potencializados com a internet e os avanços tecnológicos, elevando o poder da comunicação como forma de gerenciar comportamentos sociais e de consumo.”

Segundo ela, “o advento da cultura digital, os acessos ao mundo online, sejam para compras, pesquisas ou redes sociais, permitiram que a abrangência da vigilância se estendesse a todos os campos da vida social, produzindo consequências, para o bem e para o mal.”

Conforme diz a Juliana em sua monografia, “por um lado, os serviços digitais oferecidos são úteis e gratuitos – redes sociais, contas de e-mails, mecanismos de busca, navegadores, gps, e muitos outros – representando ferramentas facilitadoras do dia a dia. Mas, por outro, absorvem dados pessoais e comportamentais através do sistema de inteligência artificial, executados por algoritmos que regem as estratégias de marketing no ciberespaço, com o objetivo de gerar consumo e influenciar decisões.”

Baseada em Foucault,  Deleuze, Bruno, Lyon e Bauman, a pesquisa (que não é sobre UX nem AI mas sobre coisas que certamente as influenciam) descortina toda a atuação e ampliação da vigilância no contexto da cultura digital, dos algoritmos do Google, passando pelo remarketing e chegando nos social bots que infestam as nossas redes sociais com objetivos de manipulação política ou ideológica muitas vezes inconfessáveis.

Leia aqui na íntegra a monografia da Juliana.

Christian Bernard, Luiz Agner, Juliana Hofstetter e Sandro Torres (banca de defesa de TCC na Facha Botafogo).