Pequena história da arquitetura de informação e usabilidade no Rio de Janeiro

Esta mensagem foi postada pelo Robson (em comentário a uma mensagem minha) na lista de Arquitetura de Informação. Há tempos estava querendo colocá-la aqui, como um registro de um pouco de história (embora ainda bastante incompleto). Abre aspas:


O Agner citou o LEUI, na PUC-Rio. Ainda há o fato de o primeiro curso de mestrado em Design ter sido criado no Rio e de ter contado com a hipercompetente presença da Dra. Anamaria de Moraes no corpo docente, o que deu um grande estímulo aos estudo de ergonomia e usabilidade para interfaces de interação humano-computador desde os anos de 1990. Em 2003 teve início a primeira turma do curso de doutorado em Design, com a primeira tese de doutorado em desgin relacionada a interfaces para recuperação de informação na web, defendida em 2006.

Já em 1999 foi criado o curso Design de Interfaces, no Centro Universitário Carioca, onde assuntos como ergonomina, usabilidade e AI sempre estiveram na pauta. Além disso, desde 2001 oferecemos cursos de usabilidade na PUC-Rio, inicialmente como workshops, passando por cursos de extensão e hoje temos uma pós-graduação bastante reconhecida, por onde passaram pessoas de vários
estados brasileiros e profissionais de várias grande empresas, como TIM, Globo.com, Neoris, Globo Online entre outras.

Também por iniciativa do LEUI, há oito anos foi realizado o primeiro Congresso Internacional de Ergonomia e Usabilidade e Design de Interfaces e Interação Humano-Computador USIHC). É um evento fortemente pautado em apresentar e discutir estudos em ergonomia e usabilidade de sistemas e interfaces digitais e este ano será realizdo no Maranhão (em 2007 foi em Camboriú e em 2006 foi em Bauru).

Essa massa crítica formada na cidade deu origem a outras iniciativas, como o curso de pós-graduação em Webdesign na UniverCidade, o curso de Projeto de
Interfaces Gráficas para Mídias Integradas e o curso de Arquitetura de Informação, ambos na ESPM Rio. Em paralelo, profissionais e pesquisadores do Rio (e tem muito profissional-pesquisador e vice-versa) frequentemente se unem para organizar palestras, workshops e eventos, como o Dia Mundial da Usabilidade (WUD-RJ), que dá visibilidade à área.

Empresas que investem em AI e em usabilidade também estão localizadas no Rio, como Globo.com e Globo Online, Sirius Interativa e Simples Consultoria.

Assim, fica claro que não se trata de bairrismo, e sim falar a respeito de trabalho realizado ao longo do tempo. É muito bom refletirmos sobre a história recente para entender o crescimento da área [Robson Santos]

Só vou inserir aqui um adendo meu:

Em outros estados também têm sido gerados trabalhos acadêmicos importantes sobre Arquitetura de Informação, contribuindo assim para a criação de uma massa crítica sobre o tema, como as dissertações de Guilhermo Reis (USP), Flávia Macedo (UnB), e a monografia de Belkiss Marcorio (GO) [Luiz Agner].

Arquitetura de informação, usabilidade e acessibilidade: referências completíssimas online

A University of Minnesota Duluth disponibilizou esta série de links sobre webdesign para embasar seus cursos. É um importante consolidado de recursos e referências online, muito completo, sobre os mais diversos tópicos ligados ao design e desenvolvimento. Confira:

Referências sobre arquitetura de informação

Referências sobre usabilidade

Referências sobre acessibilidade

Mais um estudo sobre AI

A goiana Belkiss Marcorio me enviou a sua monografia sobre Arquitetura de Informação, realizada para o curso de sistemas de informação das Faculdades Integradas de Mineiros (GO).

Vou reproduzir aqui alguns trechos. Belkiss fala que o sentimento humano de ansiedade diante do desconhecido começa tomar uma forma óbvia nestes tempos em que a informação vale mais que qualquer outra coisa. Pesquisas do IDC (Information and Data) mostraram que a web terá 988 exabytes em 2010, seis vezes mais do que hoje. Os 988 exabytes é o mesmo que 988 quintilhão de bytes. Existe uma tsunami de dados que bate sobre as praias do mundo civilizado. É um maremoto crescente de dados desconexos vindo em uma forma desorganizada, descontrolada, incoerente e cacofônica.

O excesso de informação causa a síndrome da fadiga da informação, batizada pelo psicólogo britânico Davis Lewis. É caracterizada por tensão, irritabilidade e sentimento de abandono. Alguns dos seus efeitos são: estresse, tensão, distúrbios de sono, problemas digestivos, dificuldade de memorização, irritabilidade e sentimento de abandono.

Belkiss explica que, para combater este sentimento de ansiedade Richard Wurman criou, em 1976, um novo objeto de estudo chamado de Arquitetura de Informação. Seu objetivo é organizar a informação de forma que seus usuários possam assimilá-la com facilidade e assim tornar o complexo mais claro.

A Arquitetura de Informação proposta por Wurman começou baseada na mídia impressa, principalmente na produção de guias, mapas e Atlas. Ela se estendeu para os mais diversos campos, desde imagens de radiografia até layout de museus. Porém, uma área em que a Arquitetura de Informação encontra um campo enorme para explorar é a organização de websites.

Em meados dos anos 90, com o crescimento explosivo da Web, surgiram as primeiras tentativas de aplicar os conceitos de Arquitetura de Informação ao design de websites. Louis Rosenfeld e Peter Morville foram os pioneiros. Fundaram a primeira empresa a trabalhar exclusivamente com Arquitetura de Informação na Web (Argus Associates) e lançaram o primeiro livro sobre o assunto (Information Architecture for WWW) também chamado de “urso polar”.

Quem quiser ler mais, pode acessar a monografia por aqui.

Arquitetura de informação e governo eletrônico [tese]: baixe na íntegra

Ufa! Finalmente, estou disponibilizando no blog os arquivos certificados de cada capítulo da minha tese da PUC-Rio. Aqui vão os objetivos de cada e seu link para download. [Por favor, se você for usar, referencie corretamente o trabalho segundo os dados de catalogação bibliográfica a seguir].

Agner, Luiz – Arquitetura de informação e governo eletrônico: diálogo cidadãos-Estado na World Wide Web – estudo de caso e avaliação ergonômica de usabilidade de interfaces humano-computador / Luiz Carlos Agner Caldas ; orientador: Anamaria de Moraes. – 2007
354 f. : il. ; 30 cm

Tese (Doutorado em Design)–Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2007.
Inclui bibliografia

1. Artes – Teses. 2. Design. 3. Ergonomia. 4. Interação humano-computador. 5. Usabilidade. 6. Governo eletrônico. 7. Arquitetura de informação. 8. Interface. 9. World Wide Web. I. Moraes, Anamaria. II. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Departamento de Artes. III. Título.

Aqui vão os arquivos:

Elementos pré-textuais (folha de rosto, agradecimentos, dedicatória, etc.)

Introdução – Clique aqui para um resumo geral da tese e dos conceitos de cada capítulo a seguir.

Capítulo 1Por uma visão crítica das organizações – Apresenta uma visão crítica dos fundamentos que legitimaram a Administração Tradicional e o surgimento das organizações burocráticas.

Capítulo 2Governo eletrônico e reinvenção do Estado – Apresenta definições e justificativas para o projeto de implantação do e-Gov. Apresenta diretrizes nacionais e internacionais para os portais de governo na Internet.

Capítulo 3Arquitetura de Informação: campo interdisciplinar – Apresenta aspectos teóricos e práticos da nova profissão ligada ao Design de sistemas informacionais – a Arquitetura de Informação – e suas relações interdisciplinares.

Capítulo 4Método e técnicas de pesquisa – Explicita detalhadamente o método e as técnicas desta pesquisa, assim como define o seu tema, objeto, problema, hipótese, objetivos, roteiros e técnicas.

Capítulo 5Resultados da técnica de história oral – Revela aspectos da dimensão institucional na utilização de ferramentas digitais no IBGE; apresenta o modo de apropriação das tecnologias de informação na história recente da Instituição, segundo o relato de seus protagonistas; descreve os conteúdos, objetivos e públicos-alvo do portal e seus subsites.

Capítulo 6Resultados dos testes de usabilidade – Sintetiza e apresenta dados empíricos de utilização obtidos com a técnica de testes de campo realizados com a participação de usuários acadêmicos em busca de dados estatísticos específicos.

Capítulo 7Análise dos dados, check list e heurísticas – Organiza e interpreta o conjunto de registros e de observações originadas dos testes de usabilidade no campo.

Capítulo 8Conclusões – Confronta os resultados obtidos com a literatura pesquisada. Formula recomendações específicas para a Arquitetura de Informação e usabilidade de interfaces, com base nos dados de utilização. Relaciona as conclusões com as recomendações gerais para portais de governo eletrônico (e-Gov). Apresenta possibilidades de desdobramentos futuros desta pesquisa.

Elementos pós-textuais (bibliografia e anexos)

Card sorting na prática

Card sorting - exercício de alunos

Card sorting - exercício de alunos

Conforme disse a arquiteta de informação e autora Christina Wodtke, se você quer que as pessoas encontrem as coisas que procuram, você deve organizar os conteúdos com base no que as pessoas conhecem sobre esses conteúdos.

A organização de uma loja de roupas, por exemplo, deve refletir o modo como as pessoas acham que as roupas são organizadas. As palavras usadas devem refletir as palavras que as pessoas utilizam e o layout do site deve refletir a tarefa de as pessoas comprarem.

Você – como designer – pode ignorar isso e impor um esquema próprio, ou pode aprender sobre como as pessoas percebem o âmago do seu conteúdo e usar isso para ser mais eficaz.

Card sorting é uma técnica para obter dados sobre o modelo mental dos usuários no que diz respeito ao espaço de informação. Faz parte da abordagem centrada no usuário, onde o objetivo é aumentar a probabilidade do usuário encontrar um nó de informação, quando estiver navegando. É uma técnica que pode ser usada no projeto de um site, na criação de uma nova área de um site ou no seu redesign.

Nas fotos, alguns registros do exercício de card sorting realizado pelos meus alunos de usabilidade e arquitetura de informação, na pós em webdesign da UniverCidade, no último sábado.

Mais resenhas na blogosfera

Volta e meia, eu encontro na web uma nova resenha escrita sobre o meu livro “Ergodesign e Arquitetura de Informação” (Quartet, 2006). Esta aqui (que tomei a liberdade de reproduzir) foi feita por Rafael Rez Oliveira, no blog Ex Vertebrum. Obrigado, Rafael !!


Abre aspas:

Luiz Agner é o primeiro autor brasileiro a dedicar um livro inteiro ao tema da Arquitetura da Informação. A abordagem utilizada por Agner é simples e direta: relaciona o ergodesign (projeto de design baseado na ergonomia) com o design da informação em diversos capítulos curtos, cada um abordando um tema específico.

A AI é derivada das disciplinas de IHC (Interação Humano Computador) e da Biblioteconomia, valendo-se também da capacidade dos designers de organizar visualmente os sistemas de informação. O profissional que consegue reunir estas habilidades é o Arquiteto da Informação.

Agner se vale de uma linguagem jovem, não-acadêmica e descontraída para tornar o tema mais simples de compreender, e neste questito ele obtém muito sucesso. O livro foi muito bem recebido tanto por profissionais da área quanto por acadêmicos e pesquisadores, que passam a contar com uma bibliografia de apoio mais completa.

Li o livro todo numa só noite, numa tacada só, o que comprova a facilidade de absorvê-lo, mas é bom obeservar que nem por isso o livro é superficial. Agner se esforçou muito para conseguir fazer dele uma ferramenta de aprendizado completa.

Alguns trechos do livro estão disponíveis em forma de artigos no WebInsider.

Fecha aspas.