Criando personas para fundamentar a experiência

Você já reparou como, em muita reunião profissional, alguém fala “o usuário” como se fosse um ET genérico, sem rosto e sem história?

A técnica de personas nasce justamente pra se contrapor a isso: em vez de “usuário”, eu passo a falar da Maria, do João, da Marlene. Uma das técnicas de UX que eu mais curto utilizar nos projetos e nas minhas aulas é a técnica das personas, principalmente bem embasadas em pesquisas e entrevistas em profundidade.

Personas são personagens fictícios, baseados em pesquisas reais: observações etnográficas, dados de marketing, dados de utilização etc. As personas acabam refletindo arquétipos ou tipologias de usuários reais, apresentados como se fossem pessoas de carne e osso, nome, com idade, rotina, objetivos, medos, limitações, meio social, filosofia de vida e expectativas. Sempre procuro chamar a atenção dos meus alunos: quando desenhamos uma tela pensando em uma pessoa (como a Maria, acima, uma jovem quilombola de 28 anos), nossas decisões podem mudar completamente.

E que tal saber mais sobre o perfil da Maria? Estudante de universidade pública, Maria mora com os pais e está super conectada ao mundo digital (celular, notebook, redes sociais, YouTube). Ela é comunicativa, carismática e empreendedora: vende brownies e quitutes para custear estudos e vida. Sonha em trabalhar na sua profissão, ser independente e morar em área central, mas carrega dores importantes, como ansiedade, depressão e impactos do racismo, além do medo de não conseguir emprego após se formar.

Recentemente, tive a oportunidade de desenvolver algumas personas a partir de uma série de entrevistas em profundidade com pesquisadores de doutorado, em território quilombola, visando a embasar a criação de um novo produto. Na prática, o canvas de personas é um entregável de UX feito para o consumo interno da equipe.

As personas servem principalmente pra alinhar o seu time (desenvolvedores, designers, gerentes, conteudistas, profissionais de marketing, desenhistas instrucionais…) em torno do que verdadeiramente importa: quem vai usar de verdade o sistema ou o produto (certamente esta pessoa não será o seu superior hierárquico, nem o presidente ou um investidor da empresa). Ela está ligada diretamente ao perfil do público-alvo.

Assim, as personas são construídas para fundamentar o nosso projeto e ajudam-nos a fortalecer nossa empatia pelo usuário e a tomar decisões de design mais coerentes.

Da próxima vez que for rabiscar uma interface, pergunte-se: isto faz sentido pra minha persona principal?

Censo demográfico, UX e paradados

Este texto (publicado na revista Estudos em Design) apresenta os resultados preliminares de pesquisa para avaliar a experiência do usuário (UX) no preenchimento de questionários na web, aplicados em censos demográficos. Questionários via internet para pesquisas censitárias precisam apresentar avançados atributos de usabilidade de modo a facilitar o seu preenchimento pelos cidadãos brasileiros. Neste contexto, pretende-se avaliar se os paradados – registros de interações entre os usuários e o próprio questionário – podem apontar inconsistências nos instrumentos de coleta dos censos. Em oito bases científicas online, foram efetuadas buscas e os resultados trouxeram importantes insights. O trabalho de pesquisa faz parte do doutorado da Patricia Tavares (minha colega do IBGE), da qual eu sou o coorientador, e é assinado também pela prof. Simone Bacellar (a sua orientadora da Unirio).

Baixe o artigo: Censo Demográfico e Paradados: Em Busca da Melhor Experiência para o Usuário

Revista Estudos em Design, Rio de Janeiro, RJ, Brasil, ISSN Impresso: 0104-4249, ISSN Eletrônico: 1983-196X

Ensino de design e de comunicação em tempos de pandemia

Este artigo trata dos processos de adaptação e flexibilização das dinâmicas pedagógicas de disciplinas da graduação dos cursos de Design e de Comunicação no âmbito de universidades particulares brasileiras em meio à pandemia do COVID-19, no primeiro semestre de 2020. Em questão de semanas, professores do ensino superior tiveram que adaptar suas dinâmicas de aula para o meio online por conta do isolamento social. O novo formato de aula em videoconferência foi sendo testado na medida em que o curso acontecia. O texto examina como alguns princípios da educação a distância funcionaram em um contexto sem um planejamento prévio.

Trabalho realizado em parceria com a professora Barbara Necyk (Puc-Rio e ESDI).

Ensino de design e de comunicação em tempos de pandemia (download).

Novos desafios conceituais para a Arquitetura de Informação

 

Minha apresentação no meetup “Arquitetura de Informação em Tempos de UX”
em comemoração ao WIAD – World Information Architecture Day 2019.
Esta foi minha palestra no auditório do Departamento de Artes e Design, promovida pelo LEUI (Laboratório de Ergonomia e Usabilidade) na PUC-Rio. Participaram ainda do evento a professora Manuela Quaresma, Cláudia MontÁlvão, e as profissionais de UX Katja Aquino, Cinthia Ruiz e Alice Saraiva, entre outros.

LuizAgner_WIAD2019

Resumo: A arquitetura de informação pervasiva tem emergido como um tema pós-moderno.  Delineia-se um enorme desafio que coloca os arquitetos de informação e os profissionais de UX diante da tarefa de repensar seus processos, de modo a que todo artefato, produto ou serviço trabalhe em interações de fluxo contínuo, dentro de um sistema emergente onde velhas e novas mídias colidem, o físico e o digital, agora convergentes, sejam projetados, entregues e experienciados como um todo integrado.

 

Brasileira notável na Computação

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A comunidade brasileira de Computação está de parabéns! A professora Clarisse Sieckenius de Souza, da PUC-Rio, é a primeira brasileira homenageada pelo projeto Notable Women in Computing, da Universidade de Duke, nos Estados Unidos.

O projeto incentiva e valoriza a participação das mulheres na Ciência da Computação, visto que a presença feminina na área ainda é bem pequena. Para isso, 54 mulheres especialistas em computação de reconhecimento internacional foram retratadas em um baralho criado especialmente para a divulgação do projeto. A professora Clarisse é o dez de espadas. Clarisse é uma das pioneiras na área de Interação Humano-Computador no Brasil e titular do Departamento de Informática da PUC-Rio (e fez parte da minha banca de mestrado!).

A homenagem foi muito bem recebida pela área acadêmica, principalmente por ter sido anunciada na semana do “Dia Internacional da Mulher”. A professora Clarisse dedicou o prêmio a todas as cientistas da computação do Brasil.

Parabéns a todas as mulheres da Computação! 🙂
[Patricia Tavares]