Avaliando interfaces gestuais no jornalismo digital


Estas são as conclusões de um trabalho apresentado em São Paulo, no Congresso Interaction South America, promovido pela IxDA.

O artigo teve o objetivo de apresentar aspectos de uma pesquisa em curso, que procura centrar-se na recepção e no consumo de novas formas de apresentação e leitura da informação jornalística, disseminadas com a introdução de tecnologias de interação baseada em gestos — discutindo-as e problematizando-as a partir da incorporação de conceitos e métodos de avaliação interdisciplinares.

As telas sensíveis ao toque hoje difundem notícias, fotos, infográficos, ilustrações, charges, anúncios, crônicas e editoriais que se tornaram dinâmicos, com a inclusão de áudio de qualidade, vídeos, animações, vibrações e fotografias manipuláveis, tudo com grande apelo estético e visual. O modelo de interação sensível aos gestos, adotado por essas máquinas, levantou a promessa de revolucionar a recepção e os requisitos de produção da linguagem jornalística. Mas não há certeza de que esta promessa será honrada pelas novas interfaces criadas ou por seu Design de interação.

Um dos objetivos do trabalho foi testar o aplicativo O Globo A Mais com uma amostra de jovens estudantes de Comunicação Social de uma universidade particular do Rio de Janeiro para a avaliação de suas interfaces gestuais. A pesquisa aplicou um método de observações com usuários, denominado Entrevistas Baseadas em Cenários e Tarefas (STBI – Scenario and Tasks Based Interview).

Como conclusão da observação de usuários e suas tarefas, podemos afirmar que algumas categorias de problemas, identificadas anteriormente por Norman e Nielsen, emergiram dos nossos dados de uso. A observação demonstrou que jovens representantes do tipo de leitor virtual que o jornal O Globo pretende atrair para o seu rol de assinantes digitais podem ficar expostos a dificuldades e constrangimentos ao interagir com o aplicativo, evidenciando que se sobressaem questões pendentes à editoração e ao Design, que podem ser associadas à inadequada visibilidade de affordances, à falta de feedback, ou à inconsistência do vocabulário gestual.

Até o momento podemos concordar com Donald Norman, quando este afirma que a recente corrida dos engenheiros de software e designers para desenvolver interfaces gestuais tem levado ao esquecimento de princípios e padrões sedimentados do Design de interação, embora as novas interfaces sejam esteticamente atrativas, excitantes e lúdicas, pontos que impactam positivamente a disposição e a satisfação do leitor.

Para quem se interessar em ler o trabalho apresentado na íntegra, segue o link:
Design de interação no jornalismo para tablets: avaliando interfaces gestuais em um aplicativo de notícias.

Não esquecendo ainda de agradecer muitíssimo aos meus alunos da Facha e da Puc-Rio que participaram desta avaliação e assinam o artigo comigo!

 Guilherme Santa Rosa, Cinhtia Kulpa, Luiz Agner e Robson Santos no Interaction SA 2012.

Os professores Guilherme Santa Rosa, Cinhtia Kulpa, Luiz Agner e Robson Santos no Interaction SA 2012.

Web Design References

A dica de hoje vem da University of Minnesota Duluth, onde foram disponibilizados em um mesmo local diversos links com assuntos sobre IHC. Para acessá-los, clique aqui.

O material é todo organizado por temas, com indicações de livros e artigos sobre acessibilidade, usabilidade, CSS, arquitetura de informação, entre outros.

Clicando em cada tema, pode-se ver subdivisões sobre o assunto. No link usabilidade, por exemplo, pode-se acessar estudos de vários autores sobre usabilidade aplicada a dispositivos móveis, usabilidade para a terceira idade, além dos conceitos e benefícios da usabilidade (e muito mais).

É uma vasta fonte de consulta que é frequentemente atualizada. Vale a pena conferir!

[Patricia Tavares]

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O design da interação gestual

O reconhecimento de gestos é um tópico específico da Ciência da Computação e da Tecnologia da Linguagem e objetiva interpretar a comunicação corporal humana a partir de algoritmos matemáticos.

Muito trabalho tem sido investido no desenvolvimento e na investigação de interfaces “naturais” de interação, que também têm despertado grande interesse para o cinema de ficção científica, a exemplo dos filmes Johnny Mnemonic (1995, com Keanu Reeves, na cena acima), Final Fantasy (2001), Minority Report (2002) e Avengers (2012). Acima, uma cena de Johnny Mnemonic, que antecipou o paradigma da interação gestual.

Além da ficção, as interfaces gestuais têm sido um constante tema de pesquisas sobre acessibilidade para pessoas com tipos diversos de deficiências, já que se constituem em alternativa para as técnicas de interação baseadas no paradigma do desktop.

O pesquisador Michael Nielsen propôs uma taxonomia dos gestos: a gama de gestos disponíveis para a interação em uma interface é chamada de “vocabulário gestual”. Existem duas formas de classificação de gestos: do ponto de vista descritivo e do ponto de vista semântico. O primeiro diz respeito apenas à descrição dos movimentos; o segundo se refere ao que comunicam e aos seus objetivos.

A dimensão descritiva vai classificar gestos estáticos e gestos dinâmicos. Os gestos estáticos se referem a posturas, posições relativas das mãos e dedos, sem considerar os seus movimentos. Os gestos dinâmicos são movimentos, ou seja, a alteração da trajetória da mão ou da postura durante um intervalo de tempo.

A dimensão semântica, de acordo com Justine Cassell, pode ser de natureza consciente ou espontânea, interacional ou propositiva. Gestos conscientes possuem significados sem discurso, enquanto gestos espontâneos só têm significado no contexto de uma fala do interlocutor.

Abaixo, apresentação de aula realizada na PUC-Rio, em disciplina sobre Design de Interação na pós em Ergodesign de Interfaces, Usabilidade e Arquitetura de Informação.

A usabilidade em sites de comércio eletrônico

As transações comerciais via internet (e-commerce) vem crescendo nos últimos anos, tendendo cada vez mais para os dispositivos móveis (m-commerce). A vantagem do m-commerce é a facilidade de se obter as informações a qualquer hora, em qualquer lugar (acesso 24/7 – 24 horas por dia, 7 dias por semana), com a facilidade do transporte (mobilidade) por causa da comunicação através da tecnologia sem fio.

Segundo o Comitê Gestor da Internet – CGI.br,  houve um crescimento do acesso a internet pelo celular: em 2010, 6% dos brasileiros acessavam a internet e este número aumentou para 17% em 2011. Isso mostra a aceitação do comércio eletrônico no Brasil, sendo que a população mais jovem (de 16 a 24 anos) mostrou maior preferência pelo acesso a internet móvel.

A conveniência de comprar sem se deslocar até uma loja física às vezes é mais econômica, uma vez que o preço de produtos adquiridos na Internet pode ser menor. Mas é evidente que algumas particularidades nos equipamentos móveis (telas e teclados reduzidos; a conexão pode oscilar de lenta a indisponível, dependendo do local) devem ser observadas. O carregamento lento das páginas ou problemas com a navegação do site podem deixar o usuário frustrado, portanto a usabilidade é uma consideração deve ser prevista no desenvolvimento de tais projetos.

Sendo assim, para manter o consumidor on-line, as empresas estão investindo em usabilidade. Uma pesquisa realizada na Grâ-Bretanha investigou 20 sites em 2010 aplicando diretrizes de boas práticas de usabilidade e acessibilidade em comércio eletrônico. Vale a pena olhar essas diretrizes de usabilidade e acessibilidade apresentadas nestes relatórios.

Fica a dica!

[Patricia Tavares]

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Artigo: a usabilidade do jornalismo para tablets

Este post apresenta um artigo já aprovado para apresentação no 12. Congresso Internacional de Ergonomia e Usabilidade de Interfaces Humano-Computador – 2012.

As telas sensíveis ao toque hoje difundem notícias, fotos, infográficos, ilustrações, charges, anúncios, crônicas e editoriais que se tornaram dinâmicos, com a inclusão de áudio de qualidade, vídeos, animações, vibrações e fotografias manipuláveis, tudo com grande apelo estético e visual.

O modelo de interação sensível aos gestos, adotado por essas máquinas, levanta a promessa de revolucionar a recepção e os requisitos de produção da linguagem jornalística.

Este artigo tem o objetivo de iniciar a discussão de alguns aspectos de uma pesquisa em curso, que procura centrar-se na recepção e no consumo de novas formas de apresentação da informação jornalística, disseminadas com a introdução de tecnologias de interação baseada em gestos — discutindo-as e problematizando-as a partir da incorporação de conceitos e métodos de avaliação multidisciplinares.

Leia o artigo completo aqui:
Usabilidade do Jornalismo para Tablets: Uma Avaliação da Interação por Gestos em um Aplicativo de Notícias

Usabilidade da coleta de dados das pesquisas domiciliares

Em 2011, tive a honra de ser co-orientador da Patricia Tavares (UNIRIO e IBGE) que disponibilizou para download a sua dissertação, que teve o título de “ESTUDO DE USABILIDADE PARA PDAs UTILIZADOS EM COLETA DE DADOS NAS ENTREVISTAS PESSOAIS PARA PESQUISAS DOMICILIARES”. Aqui vai uma palhinha do trabalho, que teve orientação da prof. Simone Bacellar, da UNIRIO:

RESUMO – A evolução dos computadores permitiu que os questionários em papel utilizados em entrevistas pessoais fossem substituídos por questionários eletrônicos, método conhecido como CAPI (Computer Assisted Personal Interviewing). A popularização dos dispositivos móveis beneficiou as pesquisas domiciliares, pois ofereceu ao entrevistador a oportunidade de se deslocar portando o equipamento até os domicílios para se aproximar do informante e coletar os dados.

Alguns dos benefícios dos questionários eletrônicos são a redução do papel e a possibilidade de automatizar entrevistas complexas. Por outro lado, a introdução da coleta de dados informatizada pode ocasionar inconvenientes causados por telas mal concebidas, que atrapalham e atrasam a captação dos dados pelo entrevistador ou comprometem os resultados da pesquisa. O uso de dispositivos móveis para a coleta é outra consideração, por causa de suas limitações físicas (telas e teclados reduzidos) e por causa do ambiente de uso, pois o ambiente móvel tende a distrair mais as pessoas em função de outras atividades que ocorrem ao mesmo tempo no local.

A presente dissertação teve como foco propor recomendações para facilitar o uso de dispositivos móveis, em especial PDAs (Personal digital assistants), utilizados em coletas de dados estatísticos. Para atingir esse fim, foram realizadas observações em acompanhamentos de campo, testes de usabilidade em laboratório portátil, registros com fotos e vídeos e foram coletados depoimentos dos usuários. A partir da análise dos resultados, foram criados dois grupos de recomendações: um para o indivíduo que projeta o conteúdo dos questionários e outro para o projetista da interface do sistema de coleta de dados. Algumas telas foram desenhadas para exemplificar as recomendações.

Com as recomendações, pretende-se tornar o trabalho dos entrevistadores mais eficiente, agilizar a entrada dos dados, ajudar na leitura das perguntas para melhor entendimento dos informantes, maximizar a qualidade e a integridade dos dados coletados e reduzir custos com treinamentos.

DOWNLOAD – Baixe aqui a dissertação completa da Patricia Tavares.

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Trabalho aprovado no congresso AMCIS 2011

Este artigo-poster saiu publicado nos anais do congresso AMCIS 2011, focado em sistemas de informação, realizado em parceria com Patricia Tavares (IBGE) e Simone Bacellar (UNIRIO).

Citação:
Agner, Luiz Carlos; Tavares, Patricia Zamprogno; and Ferreira, Simone Bacellar Leal, “Ethnographic Observation in the Usability Evaluation of Computer Assisted Data Collection” (2011). AMCIS 2011 Proceedings – All Submissions. Paper 240.
http://aisel.aisnet.org/amcis2011_submissions/240

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A revolução na linguagem jornalística

Segundo a reportagem da tv Globo News (2011), a história do jornalismo para dispositivos móveis está apenas arriscando os seus primeiros passos. De acordo com a Associação de Editores Online dos EUA, os leitores de jornais norte-americanos que usam tablets serão, no início de 2012, 54 milhões de pessoas (se, é claro, a atual crise econômica não derrubar o império até lá…)

Os aplicativos de notícias estarão entre os mais usados nos novos dispositivos portáteis. Após a popularização dos tablets, surge a inevitável indagação: como produzir e consumir textos noticiosos no novo formato para a mídia digital?

Ocorre que o tablet não parece ser “mais uma plataforma” para a informação. Em um casamento aparentemente perfeito com a informação jornalística, o tablet restitui aos leitores o modelo de interação direta que o mouse lhes havia subtraído: o uso das mãos.

Ao empregar os dedos e os gestos para interagir e manipular diretamente a informação – folheando páginas de revistas ou jornais, ativando imagens, links, botões e vídeos – os usuários reencontraram a oportunidade de uma naturalidade da interação baseada em gestos.

Observa-se também que a integridade da hierarquização visual da informação – uma importante característica do jornalismo impresso – retornou ao primeiro plano nos tablets, retomando um papel proeminente na arquitetura de informação, o que nos remete à força da comunicação visual das revistas impressas. Isto havia se perdido após o estabelecimento e a disseminação dos princípios rígidos de usabilidade que se consolidaram no campo do webdesign.

A portabilidade seria a sua terceira característica fundamental. Com maior conforto e comodidade, possivelmente recostado a uma poltrona ou sofá, o leitor é convidado a passar mais tempo interagindo com a interface: verifica-se que, num site de notícias, ele empregará a sua atenção em média dez minutos; ao ler um jornal impresso, cerca de 30 minutos; e num tablet como o IPad ou um dispositivo Android, até 40 minutos.

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