Grids para o design de interação

Capa de “Grids: Construção e Desconstrução” de Timothy Samara

A revista WebDesign, publicação impressa da Arteccom, é o principal veículo de comunicação sobre o design para web no país. Apresenta mensalmente artigos, entrevistas e reportagens sobre a criação e o desenvolvimento de projetos interativos. A WebDesign deste mês publicou uma matéria de capa sobre a discussão do emprego de grids em projetos para a web. Participaram os designers João de Souza Leite, professor da ESDI e da PUC-Rio, José Ricardo Cereja, coordenador da Infnet, Marcelo Gluz, gerente da Globo.Com, Evelyn Grumach, da EGDesign, entre outros. Todo o debate girou em torno dos conceitos do clássico livro “Grids: Construção e Desconstrução” de Timothy Samara, recém-publicado no Brasil.

Convidado pelo diretor de redação Luis Rocha a participar da matéria, me animei a registrar reflexões sobre este interessante tema que tem perpassado toda a história do Design no séc. XX, e pontuado algumas de minhas aulas na UniverCidade. Abaixo, elas são reproduzidas na sua íntegra:

Função do grid – Segundo Timothy Samara , todo trabalho de design pressupõe a solução de problemas visuais e organizativos. As ilustrações, fotos, símbolos, massas de textos, chamadas, subtítulos, gráficos, links e botões devem ser reunidos para transmitir a informação e facilitar as tarefas do usuário. O grid é a maneira racional de juntar todos esses elementos. A função do grid é introduzir uma ordem sistemática num leiaute e permitir que o designer diagrame com eficiência uma grande quantidade de informação. Também permite vários colaboradores num mesmo projeto.

Vantagens – A principal vantagem da utilização do grid em projetos interativos é permitir a consistência visual da interface ao longo de todas as suas telas. Esta é uma característica fundamental, pois se relaciona diretamente a um importante princípio heurístico da usabilidade, defendido por diversos pesquisadores da área como Ben Shneiderman e Jakob Nielsen.

Grid no projeto de interação – O grid para a construção de um projeto interativo deve preferencialmente trabalhar com uma abordagem líquida, permitindo flexibilidade para apresentação da informação em diversas resoluções e diferentes dispositivos de acesso . Deve ser orgânico na ordenação dos elementos e da informação. A largura e altura das colunas podem variar, por exemplo, e o usuário poderá habilitar um corpo maior para o texto, para o seu maior conforto de leitura, causando um natural deslocamento do conteúdo. Nesse sentido, um grid hierárquico é o mais adequado para a web, pois permite a padronização das áreas de exibição com mais flexibilidade.

Elementos do grid – Os elementos principais de um grid para um projeto interativo são aqueles que permitirão acomodar com naturalidade os sistemas clássicos de navegação embutidos no conteúdo dos websites: a navegação global, local, e a contextual. Sem estas características elementares não há boa arquitetura de informação.

Grid hierárquico – Apesar de o grid hierárquico ser o mais adequado para as telas de sistemas interativos na web, acredito que, no limite, qualquer tipo de grid possa ser empregado com sucesso, inclusive uma combinação deles em diferentes subsites. Mas note que o conteúdo dinâmico dos sites e o redimensionamento das janelas exigem flexibilidade e desencorajam uma abordagem modular estritamente tradicional.

Violação do grid – Na web, com suas diversas camadas, há inúmeras oportunidades de o designer superar as regras clássicas do grid, desconstruindo-as a partir do uso de técnicas de programação como CSS, Action Script e Ájax. Inclusive pode-se colocar nas mãos do usuário a decisão final sobre a apresentação visual da informação na tela, permitindo-lhe a distribuição dinâmica dos blocos de conteúdo através do grid ou fora dele. O único limite existente para este tipo de experimentação é o próprio usuário, acredito eu, pois a “violação” das características tradicionais de um grid só tem sentido na medida em que colocar maior controle sobre a apresentação do conteúdo nas mãos do usuário, facilitando as suas tarefas. Em resumo, o limite é a usabilidade e encontrabilidade da própria informação.

Grids X criatividade – Não penso que seja um problema somente de tecnologia. Você também pode utilizar tecnologias interessantes como CSS e abordagem tableless para criar um projeto monotonamente cansativo e pouco inovador. A web está ficando mais madura, e nossas relações com ela estão mudando, entretanto as oportunidades de inovação e de criatividade muitas vezes são bloqueadas por limitações não nossas, ou da tecnologia em si, mas dos clientes, ou do modo tradicional como a maioria das empresas é administrada. Estas, muitas vezes, trabalham com expectativas preconcebidas sobre o resultado gráfico a ser alcançado. Ainda há muitos economistas, engenheiros e advogados aprovando os projetos de design lá no lado dos clientes.

Usabilidade do grid – Outro desafio é que, ao desconstruir os grids previsíveis, os designers são desafiados a manter a facilidade de uso com layouts que destoam do que estamos acostumados. A adequada análise das tarefas do usuário e da encontrabilidade da informação, neste caso, é essencial. Isto poderá implicar uma maior necessidade de testes de usabilidade, e outras técnicas de projeto, como o card sorting, para garantir a boa arquitetura de informação.

Inovação e o design centrado no usuário

Ficam abertas até o dia 12 de março as inscrições para a Create Design Show, mostra de projetos que acontecerá durante a Create 2008 Conference, simpósio sobre design de interação a ser realizado entre os dias 24 e 25 de junho em Londres, no Reino Unido.

O tema é “Inovação e o design centrado no usuário“. A exposição é direcionada a estudantes e profissionais que poderão participar individualmente ou em grupo com trabalhos realizados há, no máximo, 18 meses. Os autores dos projetos selecionados terão abatimentos da taxa de inscrição e ajuda de custo com transporte.

Mais informações: www.cs.mdx.ac.uk/research/idc/create2008/call

Design participativo

A décima conferência sobre Design Participativo, a ser realizada no segundo semestre em Bloomington, Indiana, EUA, recebe inscrições até 15 de março. As inscrições não se limitam a papers, mas também a painéis, oficinas e demonstrações interativas; apresentação de artefatos e instalações de arte participativa.

O Design Participativo é um conjunto de práticas e princípios destinados a construir tecnologias, ferramentas, ambientes , negócios e instituições sociais mais úteis às necessidades humanas. Uma das questões centrais do design participativo é o envolvimento direto das pessoas no projeto de artefatos e tecnologias.

Mais informações: www.pdc2008.org

Design de interação

Os editores Keiichi Sato (Illinois Institute of Technology) e Kuohsiang Chen (National Cheng King University, Taiwan) do International Journal of Design estão pedindo artigos para um número especial sobre aspectos culturais do Design de Interação.

O Journal of Design é uma publicação de design em várias áreas – design industrial, comunicação visual, design de interface, design de animação e jogos, design arquitetônico e urbano. Entre seus objetivos está a troca de idéias e a publicação de descobertas de pesquisadores de diferentes culturas.

Mais informações: www.ijdesign.org/ojs/index.php/IJDesig

Arquitetura de informação e governo eletrônico [tese]: baixe na íntegra

Ufa! Finalmente, estou disponibilizando no blog os arquivos certificados de cada capítulo da minha tese da PUC-Rio. Aqui vão os objetivos de cada e seu link para download. [Por favor, se você for usar, referencie corretamente o trabalho segundo os dados de catalogação bibliográfica a seguir].

Agner, Luiz – Arquitetura de informação e governo eletrônico: diálogo cidadãos-Estado na World Wide Web – estudo de caso e avaliação ergonômica de usabilidade de interfaces humano-computador / Luiz Carlos Agner Caldas ; orientador: Anamaria de Moraes. – 2007
354 f. : il. ; 30 cm

Tese (Doutorado em Design)–Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2007.
Inclui bibliografia

1. Artes – Teses. 2. Design. 3. Ergonomia. 4. Interação humano-computador. 5. Usabilidade. 6. Governo eletrônico. 7. Arquitetura de informação. 8. Interface. 9. World Wide Web. I. Moraes, Anamaria. II. Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Departamento de Artes. III. Título.

Aqui vão os arquivos:

Elementos pré-textuais (folha de rosto, agradecimentos, dedicatória, etc.)

Introdução – Clique aqui para um resumo geral da tese e dos conceitos de cada capítulo a seguir.

Capítulo 1Por uma visão crítica das organizações – Apresenta uma visão crítica dos fundamentos que legitimaram a Administração Tradicional e o surgimento das organizações burocráticas.

Capítulo 2Governo eletrônico e reinvenção do Estado – Apresenta definições e justificativas para o projeto de implantação do e-Gov. Apresenta diretrizes nacionais e internacionais para os portais de governo na Internet.

Capítulo 3Arquitetura de Informação: campo interdisciplinar – Apresenta aspectos teóricos e práticos da nova profissão ligada ao Design de sistemas informacionais – a Arquitetura de Informação – e suas relações interdisciplinares.

Capítulo 4Método e técnicas de pesquisa – Explicita detalhadamente o método e as técnicas desta pesquisa, assim como define o seu tema, objeto, problema, hipótese, objetivos, roteiros e técnicas.

Capítulo 5Resultados da técnica de história oral – Revela aspectos da dimensão institucional na utilização de ferramentas digitais no IBGE; apresenta o modo de apropriação das tecnologias de informação na história recente da Instituição, segundo o relato de seus protagonistas; descreve os conteúdos, objetivos e públicos-alvo do portal e seus subsites.

Capítulo 6Resultados dos testes de usabilidade – Sintetiza e apresenta dados empíricos de utilização obtidos com a técnica de testes de campo realizados com a participação de usuários acadêmicos em busca de dados estatísticos específicos.

Capítulo 7Análise dos dados, check list e heurísticas – Organiza e interpreta o conjunto de registros e de observações originadas dos testes de usabilidade no campo.

Capítulo 8Conclusões – Confronta os resultados obtidos com a literatura pesquisada. Formula recomendações específicas para a Arquitetura de Informação e usabilidade de interfaces, com base nos dados de utilização. Relaciona as conclusões com as recomendações gerais para portais de governo eletrônico (e-Gov). Apresenta possibilidades de desdobramentos futuros desta pesquisa.

Elementos pós-textuais (bibliografia e anexos)

Prêmio IDEA/Brasil abre inscrições

O Brasil terá uma versão do IDEA, prêmio de design promovido há 30 anos pela IDSA (Industrial Designers Society of America), e patrocinado pela revista Business Week.

Designers, empresas, indústrias e estudantes têm até o dia 7 de março de 2008 para realizarem as inscrições para o IDEA/Brasi (Internacional Design Excellence Award), que premiará com 18 categorias em três níveis de excelência ouro, prata e bronze.

O prêmio é organizado pela ONG Objeto Brasil, tem co-realização da Revista Época Negócios e promoção da ABEDESIGN – Associação Brasileira das Empresas de Design e da APEX- Brasil – Agência de Promoção de Exportação e Investimento. Os interessados deverão fazer suas inscrições pelo site www.ideabrasil.com.br até o dia 7 de março de 2008.

Revista Faz

Revista FAZ - Capa

Acaba de ser lançada a revista Faz, com textos especializados em design de interação, cujo download gratuito pode ser realizado em pdf de alta resolução a partir do site www.revistafaz.org. Faz é dirigida por Marcelo Garrido e conta com Peter Morville como membro do seu comitê editorial.

Os artigos do primeiro número evidenciam toda a interdisciplinaridade dos criadores de interação. Os temas de Faz nos colocam diversas questões práticas, técnicas e reflexões teóricas. Segundo o seu editorial, a revista abre-se e se fecha mostrando a histórica tensão na oposição entre criar novas regras ou manter as regras atuais.

Em Faz, o ofício do design de interação não tem uma única religião. É uma iniciativa da comunidade de designers Cadius. Vale baixar e conferir.

Defesa de tese na PUC-Rio

Defesa de tese - Luiz Agner - PUC-Rio - 25 Outubro 2007

Defesa de tese - Luiz Agner - PUC-Rio - 25 Outubro 2007

Defesa de tese - Luiz Agner - PUC-Rio - 25 Outubro 2007

Foi ontem. Deu um friozinho na barriga, durante a defesa, mas Jesus lá em cima (na foto) ajudou! A banca chegou a tempo (apesar do dia de caos urbano no Rio), se aboletou em suas confortáveis poltronas, ouviu e anotou tudo, atentamente. E depois sabatinou impiedosamente. Era composta pelos professores Luiz Antonio Coelho (Design, PUC-Rio), Marcos Cavalcanti (Gestão do Conhecimento, Coppe-UFRJ), Lena Vania (Ciência da Informação, IBICT/UFRJ), e Regina Moraes (ex-IBGE e da Informática da PUC-Rio). Interdisciplinaridade é isso aí… O prof. Sydney Freitas (da ESDI-UERJ) também estava lá. No meio, aparece a Carol que foi me dar uma força. As fotos foram tiradas pela Barbara.

A professora Anamaria de Moraes (minha orientadora, foto abaixo) foi a verdadeira estrela do evento e está de parabéns, pois agora é a responsável por mais um doutor em Design na praça, seja lá o que isso possa significar. Afe!

Defesa de tese - Luiz Agner - PUC-Rio - 25 Outubro 2007