Arquitetura versus design de informação

Um campo limítrofe à Arquitetura de Informação é o design de informação. Richard Wurman, que cunhou a expressão Arquitetura de Informação, desenvolveu diversos trabalhos profissionais na qualidade de designer de informação para vários veículos, contribuindo para a confusão. Deve-se esclarecer os conceitos e as diferenças entre os campos distintos, porém complementares, que muitas vezes se confundem. Para Rosenfeld e Morville, os “arquitetos de informação fazem design, e os designers fazem arquitetura de informação”.

A expressão Arquitetura da Informação foi apropriada por biblioteconomistas para definir o projeto de sistemas de armazenamento e recuperação de informações na web. Louis Rosenfeld e Peter Morville foram os principais propagadores desta idéia. Mas a definição inicial de Wurman era mais ampla, incluindo também museus, livros, jornais, cd-roms ou qualquer meio de transmitir informação.

O fato é que a atividade de design de informação nasceu bem antes que os conceitos de Arquitetura de Informação, embora compartilhem o objetivo comum de tornar claro o que é complexo. A utilização de figuras abstratas, ilustrações e desenhos para apresentar informações, medidas e dados não é uma invenção recente. Surgiu em 1750-1800, depois do advento dos logaritmos, das coordenadas cartesianas, da teoria da probabilidade e do cálculo.

Os primeiros diagramas estatísticos foram criados por J. H. Lambert (1728-1777), um matemático suíço-germânico, e por William Playfair (1759-1823), um economista inglês. Menos conhecido, mas igualmente importante, é o nome de Florence Nightingale (1820-1910). Playfair inventou o gráfico de barras, o gráfico de pizza, o de série temporal e o de área variável, em uma série de ilustrações publicadas em livros. No Brasil, já em 1872, há registros do uso de representações gráficas para apresentar dados do recenseamento.

Ao contrário do marketing e da publicidade, cujo propósito é a persuasão, o design de informação procura apresentar as informações de modo objetivo, para capacitar o leitor a tomar decisões. Os designers de informação transformam a informação (dados brutos, listas de ações ou processos) em modelos visuais capazes de revelar a sua essência. Eles são os intermediários entre historiadores, economistas e estatísticos e as suas audiências.

Em tempo: em outubro, acontecerá o congresso da Sociedade Brasileira de Design da Informação, em Curitiba.

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