Este vídeo foi gravado recentemente a pedido do amigo prof. Eduardo Ariel com o objetivo de ilustrar uma aula na Escola Superior de Desenho Industrial (ESDI-UERJ).
Nestes tempos ansiosos e acelerados, a IA está sendo vendida como um avanço inevitável para as práticas do Design, ao qual todos devemos aderir. Eu prefiro olhar com mais desconfiança. Ela pode até acelerar o nosso trabalho, mas também pode automatizar a superficialidade: gerar interfaces “certinhas” no aspecto formal e, ao mesmo tempo, pobres em empatia, contexto e entendimento real das pessoas.
Para além da discussão sobre seus impactos ambientais, éticos, trabalhistas ou autorais, o problema fica mais sério quando a IA deixa de ser só uma simples ferramenta de produção de imagens ou telas e passa a servir ao modelo de negócio. Aí entra o risco de automatizar padrões enganosos, a partir dos dados capturados durante a interação do usuário: dificultar cancelamentos de assinaturas, empurrar produtos mais caros ou indesejados, explorar urgência e usar gatilhos emocionais ou cognitivos com mais precisão e escala do que nunca.
Não podemos considerar inovação quando a inteligência da máquina é usada para manipular.
Eu não acho que a grande pergunta seja “como usar IA no design”. Para mim, a pergunta mais importante é: a serviço de quem essa IA está trabalhando? Das pessoas ou da máquina incessante de lucros do capitalismo?